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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Pais ausentes ou muito presentes na escola podem prejudicar estudos das crianças - Por Kátia Deutner

                 Thinkstock
Para que a criança tenha um bom aprendizado, é importante que os pais participem da vida escolar dos filhos, mas respeitando a autoridade da escola

Há quem acredite que frequentar reuniões de pais e mestres nas escolas dos filhos é chato e entediante. Uma vez que confiaram na instituição, não é preciso perder tempo para saber o andamento da educação. Outros se intrometem tanto que querem ensinar aos professores a melhor maneira de educar seus filhos.

De maneias distintas, ambos estão errados. Afinal, qual o limite da relação entre pais e professores? "Eles são educadores, cada um em seu âmbito. A convivência entre pais e professores deve ser de harmonia e respeito mútuo", diz o engenheiro e professor José Carlos Pomarico, diretor geral do Colégio Joana D’Arc, em São Paulo.

Tudo começa com a escolha da instituição de ensino. Antes de matricular o filho, pais devem avaliar quais são os métodos educacionais, a proposta, a linha pedagógica adotada, para saber se eles concordam com a linha que adotaram para educar as crianças. "As divergências, caso venham a existir no decorrer do processo, devem ser resolvidas diretamente com a escola, não deixando que cheguem ao aluno", afirma José Carlos Pomarico.

Confiança é o ponto chave, por isso é tão importante escolher a escola com calma. “Uma boa relação é construída a partir da noção de parceria. Os alunos precisam se sentir seguros sobre os caminhos que a escola orienta, os quais foram aprovados previamente pela família”, diz o diretor pedagógico Nivaldo Canova, do Colégio Giordano Bruno, de São Paulo.

É importante que pais participem do cotidiano escolar e contribuam com suas experiências, tenham um diálogo com os profissionais. Contudo, é fundamental que cada um desempenhe o papel que lhe cabe na formação das crianças e jovens. "Educar não é uma tarefa fácil, mas o princípio básico é a coerência entre o que se fala e o que se faz diante de regras", explica a diretora Tatiana Martinez, do Colégio Rio Branco – Unidade Granja Vianna, em São Paulo.

Papéis bem definidos
 Até que ponto um não avança o campo do outro? Tudo o que diz respeito à educação dos filhos é de responsabilidade dos pais e isso só muda à medida que a criança vai crescendo e tomando suas próprias decisões.

"O papel dos professores está restrito ao que compete à educação escolar, no cumprimento de regras estabelecidas para o bom convívio coletivo”, explica a psicóloga educacional Marli da Costa Ramos Scatralhe, diretora pedagógica do Colégio Mario Schenberg, em Cotia (SP). Resumindo: à família cabe educar o filho, à escola ensinar o aluno, exercitando regras de convivência, compartilhando, respeitando as individualidades, aos bons hábitos de higiene e respeito ao meio ambiente.

Cuidado com os erros frequentes

Excesso de Zelo
Acompanhar o processo educativo da escola não se restringe a conferir lições de casa ou mesmo frequentar reuniões. Mas ultrapassar muito esse limite não é bom. Pais superprotetores prejudicam os filhos em todos os âmbitos –e não só no escolar. “Eles acabam criando crianças dependentes, inseguras e que precisam o tempo todo de atenção, não conseguem realizar tarefas simples sem consultar ou ter a aprovação de professores e ficam contrariadas quando não atingem um objetivo proposto”, avalia Tatiana Martinez.

Muitas vezes, tentar inocentar o aluno de qualquer ação impede que se tomem as medidas necessárias para correções importantes. E isso atrapalha a escola e prejudica a formação. “Há casos em que a superproteção é usada como compensação de outras omissões dos pais. Aí o mal é duplo: na omissão e na superproteção, ambos punindo a criança, provocando, inclusive, desvio de caráter”, diz Maria Edna Scorcia, diretora pedagógica do Colégio Joana D’arc, em São Paulo. E tem mais: intervir demais nas decisões escolares só demonstra desconfiança na instituição. Assim, será difícil exigir que a criança respeite a escola, já que seus pais não a respeitam.
Falta de acompanhamento
Há pais que acham que ao pagar uma boa instituição de ensino para os filhos não precisam dar mais atenção ao assunto, podendo cuidar de seus afazeres. “Este, sem dúvida, é o mais triste contexto familiar que a escola tem de lidar. Filhos de pais omissos geralmente têm problemas na aprendizagem, pois têm resistências no seu papel de estudante ao não encontrar na família orientação, cuidado, zelo e cobrança sobre o que compete a eles enquanto estudantes”, diz Marli da Costa Ramos Scatralhe.

Não são raros os os estudantes que são infelizes e têm sua formação comprometida. “É uma sensação de desamparo. Não são poucas as vezes que a escola ampara alunos cujos pais faltam às comemorações. As crianças, chorando, perguntam se sabíamos por que não compareceram à festa”, conta José Carlos Pomarico. E a desculpa é sempre igual: falta de tempo. “Como a divisão do tempo é uma questão política, ao educador fica sempre a impressão de desinteresse”, completa. 
Subestimar a reunião
Chamar pais para uma conversa sobre a vida escolar do aluno é muito mais importante do que alguns imaginam. É nesse período da reunião que as diferentes visões que escola e família têm da criança são ajustadas para possibilitar que medidas corretivas sejam tomadas e aceitas com naturalidade.

Nesta hora, professores se apresentam aos pais como são e não como uma figura difícil, fruto dos relatos de alunos enraivecidos. “Não é um momento para tirar satisfações, mas, sim, para se informar sobre o desenvolvimento do filho e se orientar e descobrir como colaborar com esse desenvolvimento”, diz Maria Edna Scorcia. 
Ao mesmo tempo, a oportunidade mostra para o filho o quanto o que acontece com ele na escola é importante. “Usar este horário para conversar com pessoas que olham, cuidam, formam e que são modelos, referências para a vida deles. Os alunos se sentem valorizados e estimulados ao perceberem que a escola e a família são parceiras e dividem as responsabilidades na sua formação”, diz Tatiana Martinez.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Secretaria da Educação propõe Ensino Médio de Tempo Integral em 21 escolas estaduais

Iniciativa prevê jornada de 8 horas, ampliação da grade curricular e regime especial de trabalho para professores

Adesão a modelo a ser implantado em 2012 depende de decisão dos conselhos escolares

A Secretaria de Estado da Educação de São Paulo já está pondo em prática uma das principais ações do programa Educação — Compromisso de São Paulo. Trata-se do Ensino Médio de Tempo Integral, que prevê ampliação não só da jornada, de 6 para 8 horas diárias, mas também da grade curricular, de modo a corresponder a padrões internacionais de aperfeiçoamento educacional.

A iniciativa propõe a consolidação, por adesão, em unidades que oferecem exclusivamente Ensino Médio, de um novo modelo de escola, com disciplinas eletivas, implantação ou reforma de laboratórios, salas temáticas e oferecimento de três refeições por dia.

“Nosso objetivo maior com essa iniciativa é a melhoria da qualidade da educação de nossos alunos”, destacou o secretário de Estado da Educação, Herman Voorwald. “Queremos fazer com que nossos jovens formados pelo Ensino Médio de São Paulo estejam preparados não só para os novos desafios do mundo do trabalho, mas também para uma sólida formação universitária.”

A diferença do novo modelo para as já existentes escolas de tempo integral está na integração das disciplinas do currículo e no novo regime de trabalho de seus professores. Para os docentes das escolas em que será implantado o novo modelo, será criado um regime de dedicação plena e integral, que não permitirá atuar no quadro docente de outras unidades no período diurno. Haverá gratificação, que será proporcionalmente incorporada na aposentadoria. Não será uma carreira diferente, mas um regime diferenciado.
Para 2012, a mudança prevista foi proposta para 21 unidades em diversas regiões do Estado (ver relação abaixo).
Entre os principais critérios de seleção dessas escolas, destacam-se o oferecimento apenas do Ensino Médio, não ser a única do município a oferecer exclusivamente essa modalidade, número mínimo de 10 salas de aula, não ser compartilhada com unidades municipais, não fazer parte da Rede Ensino Médio Técnico e possuir espaço físico adequado para a implantação de instalações específicas do programa. A discussão da proposta já começou a partir do dia 17 nessas escolas, que se posicionarão até quinta-feira, dia 27.
O trabalho a ser desenvolvido nessas primeiras unidades servirá de base para a ampliação da iniciativa em todo o Estado nos anos seguintes, de modo a promover a melhoria da qualidade do ensino, nos termos do programa Educação — Compromisso de São Paulo. Anunciado pelo governador Geraldo Alckmin no Dia do Professor (15 de outubro), o programa tem como objetivos principais colocar o sistema educacional de São Paulo entre os melhores do mundo e fazer a carreira de professor ser uma das mais valorizadas entre os jovens.

sábado, 15 de outubro de 2011

DIA DOS PROFESSORES NA REGIÃO DE MARINGÁ

Mais de 50% dos afastamentos de professores são por depressão
Por Poliana Lisboa
Mais de 50% dos atestados médicos de professores na rede estadual de ensino em Maringá e região são decorrentes de depressão. De janeiro ao fim de setembro, o total de afastamentos aumentou cerca de 40% em relação ao mesmo período de 2010. A informação é do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Maringá.

domingo, 9 de outubro de 2011

Cartografia aplicada aos primeiros anos do Ensino Fundamental


Alunas do Instituto Estadual de Educação de Maringá - IEEM participam de Oficina

Vejam logo abaixo, as fotos das alunas do 3º ano do Curso de Formação de Docentes em nível médio do IEEM, que participaram nos dias 17/09/11 e 01/10/201, da Oficina: “Cartografia aplicada aos primeiros anos do Ensino Fundamental”, cuja professora Maria Simões de Brito é a coordenadora de Prática de Formação do Curso, no período noturno.

Professoras: Maria Simões e Raquel

Este curso é destinado à formação inicial do professor do nível I, onde devem cumprir uma carga horária de estágio que inclui: estudos, oficinas, pesquisas, observações participativas em salas de aula, docências em turmas do 1º ao 5º ano. Ademais, este curso é enriquecido com a realização de oficinas voltadas para diversas áreas do conhecimento, que nesta oportunidade, contemplou o ensino de Geografia.

O evento realizado teve uma carga horária de 8 horas. Quem ministrou esta oficina foi a professora Raquel Dias de Brito, graduada em Geografia pela Universidade Estadual de Maringá e professora da rede estadual pública de ensino do Estado do Paraná.  Contou ainda com a participação das professoras Maria Estela Gozzi e Lucília Vernashi de Oliveira, professoras de Estágio da turma.

Professoras: Maria Estela e Lucília

Após um período de embasamento teórico, as alunas participaram de atividades práticas que proporcionaram um aprendizado significativo. Estes conteúdos contribuirão para as práticas do exercício da futura profissão.

Os objetivos desta oficina foram: a) conhecer as formas de utilização do mapa como um dos instrumentos que auxiliam no entendimento da disciplina de Geografia; b) desenvolver a linguagem cartográfica através do processo de alfabetização cartográfica.

O evento atingiu os objetivos esperados, uma vez que as alunas participaram ativamente durante as práticas, demonstrando interesse e curiosidade sobre os temas abordados.

Contação e dinâmica da história "Passeio ao Jardim Zoológico"

Manuseio de Mapas fisico, político e temático

Atividades em grupo com mapas



Atividades em grupo com Atlas Geográfico: elementos do mapa




Contação da história: "Ursinho Marrom"


Elaboração de Maquetes

Exposição de Maquetes




quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Curiosidade: Por que o riso é contagiante?

Rir é contagiante devido à ação dos neurônios-espelho.
Você já riu de alguma coisa sem motivo, só porque viu alguém rindo também? Todos nós já passamos pela situação de um riso contagiante. Se isso era apenas um senso comum, após o estudo feito pela University College London, da Inglaterra, o lema “sorria e o mundo inteiro vai sorrir com você" parece ser mais verdadeiro do que nunca.

Os cientistas descobriram que tudo isso ocorre devido à ação dos chamados "neurônios-espelho". Essas células cerebrais, localizadas no córtex pré-motor e no lobo parietal inferior, são de importância fundamental na imitação e aquisição da linguagem. Dessa forma, as mesmas despertam a compreensão do significado de gestos e expressões corporais que vemos e fazem com que nós imitemos aquilo. Já em relação ao motivo dessa reação, não se sabe exatamente, porém o mais provável é que a mesma possa ser um artifício natural que ajuda na integração social do indivíduo.

Também podemos comprovar esse mecanismo em outras situações, como no caso de uma pessoa bocejar após ver outra.

Fonte: http://www.sitedecuriosidades.com/curiosidade/por-que-o-riso-e-contagiante.html

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A cada três dias, professor sofre algum tipo de violência nas escolas de MG, segundo sindicato

Levantamento divulgado pelo Sinpro (Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais) revela que a cada três dias um caso de violência é registrado contra docentes em escolas públicas ou privadas do Estado.

De acordo com Gilson Reis, presidente da entidade, os dados foram captados entre fevereiro, quando um serviço de disque-denúncia foi criado, e setembro desde ano.

Ainda conforme o dirigente, as denúncias mais comuns são as que versam sobre intimidações sofridas nas unidades de ensino, seguidas por agressão verbal e física.

O serviço foi implantando depois da morte do professor universitário Kassio Vinicius Castro Gomes, 39, ocorrida em dezembro do ano passado no Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix, situado na capital mineira.

Na ocasião, a vítima foi esfaqueada em um dos corredores da instituição pelo estudante Amilton Loyola Caires, 23, que alegara sofrer "perseguição" do educador. Em julho deste ano, a Justiça determinou que ele deveria ser internado em estabelecimento psiquiátrico adequado ou hospital após ter sido comprovada, por laudo médico, quadro de esquizofrenia. O magistrado autor da sentença havia decidido que o estudante era inimputável, ou seja, não poderia ser responsabilizado pelo crime.

“O número de denúncias vindas de escolas particulares é muito próximo dos números das escolas públicas. Isso dá margem a uma reflexão: muitas pessoas imaginavam que a violência está somente nas escolas públicas”, explicou. Segundo ele, das 83 ocorrências recebidas pelo disque-denúncia, 43 vieram de trabalhadores do setor público e 40 de docentes de escolas privadas.

De acordo com Reis, o sindicato recebe a denúncia e busca entendimento com a instituição de ensino. No entanto, o dirigente revela frustração pelo resultado.

“Das 40 denúncias que tivemos envolvendo as escolas privadas, apenas em um caso observamos o afastamento do aluno da disciplina do professor que fez a denúncia”, frisou.

Reis acusa o que denominou de “relação mercantil” entre as escolas particulares e os estudantes como entrave às punições que poderiam ser efetivadas. “Normalmente a escola não toma uma posição contra o seu “cliente”, que é o aluno, ou os pais dele”, revelou.

Outro fator apontado pelo dirigente como inibidor de denúncias de violência contra professores é o fato de, nas escolas particulares, o educador temer a perda do emprego, caso exponha o problema.

No tocante às denúncias feitas pelos professores de escolas públicas, o dirigente afirmou que os casos são levados ao conhecimento da Secretaria Estadual de Educação.

“Devemos lembrar que, o caso do professor Kassio, que terminou de forma trágica, iniciou-se com intimidações por parte do agressor”, relembrou.

Presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG), Emiro Barbini rebateu as acusações de Reis e as classificou de “levianas”. Conforme ele, os casos recebidos pelo disque-denúncia nunca foram repassados à entidade.

“Eles criaram o disque-denúncia, mas nunca nos passaram nem protocolaram nada. Não temos nada que comprove algum caso, no qual a gente possa auxiliar e intervir. Nós não temos o poder de fiscalização, mas temos o poder de estar junto às escolas, exigindo atitudes contra qualquer tipo de violência”, disse.

De acordo com Barbini, os diretores são orientados a registrar casos de agressões, ou ameaças contra professores. “Ele não pode se omitir. Tem de constar no seu regimento interno a punição disciplinar relativa a casos de violência”, descreveu.

A Secretaria de Educação de Minas Gerais informou que as 47 superintendências regionais de ensino do Estado registram todas as situações de conflito e dispõem de equipes técnicas que auxiliam a direção da escola no encaminhamento dos casos na verificação da medida disciplinar a ser adotada.

Em relação à segurança nas escolas, o governo estadual ainda revelou, por meio de nota, que mantêm ações voltadas para a ‘inclusão social e a integração entre a comunidade e o ambiente escolar”, com a participação da Polícia Militar mineira.

Para tanto, o informe citou programas como “Projeto Escola Viva, Comunidade Ativa”, “Programa Educacional de Resistência à Violência e às Drogas”, além do “Jovens Construindo a Cidadania”.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/educacao/2011/10/05/a-cada-tres-dias-professor-sofre-algum-tipo-de-violencia-nas-escolas-de-mg-segundo-sindicato.jhtm

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Programa de escolarização da Penitenciária Estadual de Maringá é destaque em reportagem especial

EUA: Quer eliminar a letra cursiva como ferramenta pedagógica

EUA: busca por um ensino padronizado e digitalizado


Por: Juliana Holanda

A decisão de transformar a letra cursiva em prática do passado faz parte de um movimento que tenta padronizar, avaliar e tornar os sistemas de ensino dos Estados Unidos mais competitivos internacionalmente. Isso num contexto em que o uso educacional da tecnologia virou uma verdadeira febre no país, enriquecendo desenvolvedores de softwares e impulsionando políticas voltadas à integração dos alunos ao ambiente midiático.

Após a recomendação do fim da letra cursiva pelo Common Core Stated Standards Initiative (Iniciativa para um Padrão Comum de Currículo, em tradução livre), a cidade de Edison, Nova Jersey, anunciou que vai introduzir o tablet como ferramenta pedagógica. Durante o próximo ano letivo, alunos das escolas públicas aprenderão álgebra por meio de um aplicativo criado especificamente para o aparato. A medida visa medir a eficácia do sistema na sala de aula: metade dos estudantes receberá livros e a outra metade os dispositivos eletrônicos. Ao final, o desempenho dos dois grupos será comparado.

A antropóloga e neurocientista Elvira Souza Lima, que morou nos Estados Unidos e viu seus filhos frequentarem as escolas americanas, acredita que o país justifica pela tecnologia a definição do que deve ser ensinado à criança, partindo do princípio de que já estamos usando o computador prioritariamente. "A escola americana decaiu muito nos últimos 20 anos. Eles ignoram o que seja o desenvolvimento da criança. Não é a questão da escrita em si mesma, mas do desenvolvimento simbólico", avalia.

Novo padrão
Nesse contexto, o fim da letra cursiva foi recomendado pelo Common Core Stated Standards (CCSS), uma ação conjunta entre estados norte-americanos formada por docentes, especialistas, pais e administradores escolares. O grupo, que defende a priorização da digitação nas escolas, já abarcou 46 dos 50 estados norte-americanos. A missão é clara: "com os estudantes americanos preparados para o futuro, nossas comunidades estarão mais bem posicionadas para ser bem-sucedidas na competitiva economia global".

A busca por padrões educacionais se baseia em princípios como a necessidade de desenvolver e implementar sistemas abrangentes de avaliação para medir o desempenho dos alunos. A CCSS estabeleceu padrões para o ensino de língua inglesa, artes e matemática para alunos dos 5 aos 18 anos. Mas cada estado tem seu processo de desenvolvimento, adoção e implementação dos padrões educacionais, dado que os Estados Unidos são uma república federativa. Os 46 estados aderiram por diferentes vias, por meio dos Conselhos de Educação ou pela legislação estadual. O governo federal não tem nenhum envolvimento com a iniciativa.

Indiana
Participante do movimento desde agosto de 2010, o Departamento de Educação do Estado de Indiana distribuiu, em abril último, um memorando para orientar as escolas quanto ao novo padrão, cuja adoção deve estar consolidada até 2014-2015. O documento lembra que o padrão da CCSS não inclui o ensino da letra cursiva e que, por outro lado, deve-se esperar que as crianças alcancem habilidades em digitação.

A transição será rápida: a partir de 2012 as escolas podem abandonar o ensino da letra cursiva para se concentrar em "áreas mais importantes", como define o Departamento de Educação. Pelo texto do documento pode-se imaginar o fim das cartilhas de alfabetização. "Estamos enviando este memorando para ajudar a alertar os impactados por essa decisão a coordenar os pedidos de recursos para o próximo ano (não peça livros didáticos de cursiva para o ano que vem se você não vai precisar deles)", recomenda-se.

Outra preocupação é quanto ao sistema de avaliação, visto como uma das "vantagens" do currículo padronizado: a partir de 2014-2015, os alunos das séries correspondentes à faixa etária de 8 a 17 anos de diversos estados serão testados pelos padrões da CCSS e os alunos deverão estar preparados para as provas.

As recomendações da CCSS têm sido adotadas pelos estados americanos desde 2010. Ainda em 2009, a Time Magazine publicou matéria com o sugestivo título "Luto pela morte da escrita à mão". No artigo, a revista menciona casos de professores que até a 3ª série estimulam a escrita cursiva, mas declaram que, depois do "rito de passagem", simplesmente não a estimulam. A revista cita ainda o caso de um garoto de 15 anos que tem uma letra tão feia que é impossível de ser lida. O garoto, que mora em Nova York, tem permissão para levar um computador para a sala de aula, inclusive para as provas. A mãe do aluno tentou resolver o problema com terapia. Não deu certo: ele gosta de escrever mal à mão para poder usar o computador.

Professor e computador
A digitalização do processo educacional nos Estados Unidos preocupa também a carreira docente. A Wireless Generation, empresa que desenvolve softwares para ajudar docentes, por exemplo, é acusada de criar "professores on-line " e tentar substituí-los por computadores. A empresa, que atende a mais de 200 mil professores e três milhões de alunos em todo o país, tem se envolvido em algumas polêmicas. No final de 2010 foi comprada pela News Corp., do magnata Rudolph Murdoch, hoje às voltas com grampos ilegais feitos por um de seus (ex) jornais britânicos, o News of The World.

Ao mesmo tempo em que comprou a Wireless, a News Corp anunciou a contratação de Joel Klein, ex-secretário de Educação de Nova York e um dos idealizadores do projeto de bonificação por desempenho americano. Recentemente, a Wireless fechou um contrato de US$ 27 milhões sem licitação com a Secretaria de Educação de Nova York para desenvolver um software­ para acompanhar os resultados de avaliação e outros dados de estudantes. A imprensa americana sentiu cheiro de Klein no negócio.

fonte: http://revistaeducacao.uol.com.br/formacao-docente/173/febre-digital-235015-1.asp 

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Poluição sonora nas escolas de Maringá


Barulho nas escolas de Maringá vai além do aceitável

Por Poliana Lisboa
 
O barulho produzido por 25 crianças em uma sala de aula pode ser comparado ao emitido por um caminhão em uma rodovia, o equivalente a 83 decibéis (dB), superior ao nível aceitado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), de 65 dá. Quem estiver expostos a valores acima desse limite pode ter problemas de audição, além de ter o nível de estresse elevado.

Das quatro escolas escolhidas por O Diário para a medição - por estarem próximas às principais avenidas e ruas movimentas do município -, todas apresentam barulho acima do limite do lado de fora das salas. No Colégio Estadual Branca da Mota Fernandes, a média no intervalo foi de 95 dB – variando de 77 dB a 103 dB.

Todos esses barulhos somados – vozes de alunos, professores, ruído dos carros que passam nas ruas – atrapalham o aprendizado dos estudantes e a vida daqueles que trabalham no ambiente. Além da recomendação da OMS, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) fixa em 50 dB o valor máximo aceitável para conforto acústico em salas de aula. Nas áreas de circulação, como pátios e corredores, o limite é de 55 dB.

Professores e demais funcionários dessas instituições são os que mais sofrem com o excesso de ruído. Enquanto alunos ficam expostos por 4h diárias, quem trabalha fica pelo menos o dobro do tempo. Em um dos colégios, a zeladora ressalta que o pátio (vazio e, mesmo assim, com valores acima do limite) "está calmíssimo".

Em outro estabelecimento, um professor conta que o ruído presenciado pela reportagem é normal e que os veículos das ruas adjacentes não incomodam tanto quanto os frequentes gritos dos alunos.
"Quer ver isso aqui ficar impossível? É quando um ou dois professores faltam. Eles ficam no pátio e nas salas ao lado simplesmente não dá para dar aula. É terrível. Tem que falar muito alto, é cansativo", explica.

Os diretores amenizam a situação. Gickson Silva, do Colégio Estadual Branca da Mota Fernandes, afirma que, se quisesse silêncio, estaria trabalhando em outro lugar.
"Eles [estudantes] estão no auge da juventude, cheios de energia para gastar, é normal que façam muito barulho. E também depende do dia. Tem dias que o som é bem mais alto", conta.
Assis Boffi, à frente do Tancredo Neves, com curso na área de Segurança do Trabalho, sabe que os ruídos podem ser ocasionais ou intermitentes.

Mesmo assim, se assusta quando, fora de uma sala o som chega a 82 dB e a fala de uma professora, medida a um metro, conforme recomendado, chega a 86 dB.
"É, sem dúvida um ambiente barulhento. Mas faz parte da dinâmica. Agora [período vespertino], temos o ensino fundamental que conversa mais. À noite, por exemplo, no ensino médio, aqui é quieto".

Mas as crianças também sentem o incômodo. Alunos que estavam nos corredores de duas das escolas visitadas afirmam ser comum professores gritando. "Até cansa, tem aqueles [professores] que só sabem gritar", diz uma garota de 13 anos. Outra revela: "Esta professora aqui controla bem a turma, então ‘tá’ normal. Mas na aula de matemática é uma bagunça".

Confira as medições


Três perguntas

Por Dagoberto de Souza Jr.  Otorrinolaringologista

O Diário - Como o barulho acima de 65 dB pode prejudicar a saúde?
Qualquer exposição frequente e prolongada a sons acima de 65 dB pode causar problemas de saúde. Apesar de a legislação trabalhista trabalhar com o limite de 75 dB, como médicos consideramos que o valor da OMS já é alto. Num intervalo na escola, 95 dB é muito. Mas é o horário de mais barulho, quando as crianças brincam. A exposição do recreio se soma àquela sofrida por todo o dia e pode ter consequências na audição. Quem fica exposto a esses ruídos pode ter perdas auditivas parciais a longo prazo.
O Diário - Além dos problemas auditivos, quais outras interferências na saúde que essa pessoa pode ter?
Esse estudante também pode ter outras interferências desencadeadas pelo barulho, como Transtorno de Déficit de Atenção (TDA), estresse. Só que essas doenças e as suas causas não são facilmente identificadas.

O Diário - Como evitar ou diminuir esta exposição?
É complicado, porque a exposição ao barulho é difícil de ser controlada. A única maneira que vejo é orientar os alunos a fazerem menos ruído. Tanto na escola quanto em outros ambientes.

fonte: http://maringa.odiario.com/maringa/noticia/495883/barulho-nas-escolas-de-maringa-vai-alem-do-aceitavel/

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

ACABEI DE POSTAR EM MENU RECURSOS, SUGESTÕES DE ESTRATÉGIAS PARA O INCENTIVO À LEITURA E A APROPRIAÇÃO DA ESCRITA.
VALE CONFERIR - Professora Maria Simões de Brito

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O Papel da Escola no incentivo à leitura

Por Cristiane Rogerio e Marina Vidigal

Imagine uma escola em que as crianças topam com um livro a toda a hora. Quando querem procurar algo para fazer, lá estão os exemplares, disponíveis. Se é hora de procurar informações, também estão eles lá, como opções. Para incentivar a escrita, contar histórias, eles são as estrelas. E aqui, estamos falando de literatura: uma história que faça o leitor viajar, encontrar com medos, ver suas dúvidas, dar muita risada, descobrir o mundo. E treinar muito, claro, sua capacidade de leitura, de entendimento, de prazer com o livro.

Crianças que convivem em ambientes de leitores e para as quais adultos lêem com freqüência, interessam-se mais pela leitura e desenvolvem-se com maior facilidade nesta área. CRESCER conversou com educadores, pedagogos, críticos de literatura infantil e especialistas em programas de incentivo à leitura e listou aqui o que pode fazer uma escola ser realmente parceira nesta bela empreitada.

Escolas de ensino médio e fundamental mantidas pelo governo federal se distinguem das demais e se classificam entre as melhores do mundo

Federais estão entre as dez mais

Por Mariana Scoz
As escolas da rede federal que atendem o ensino fundamental e médio são exceção na educação brasileira. No Programa Interna­­cional de Avaliação de Alunos (PISA), em 2009, seus resultados foram muito acima da média que colocou o Brasil na 54.ª posição.

Sozinhas, poderiam ficar entre os dez melhores colocados, à frente de países como Canadá e Suíça. Se o índice contabilizasse apenas as escolas municipais e estaduais, a posição brasileira cairia para 60 entre os 65 países avaliados.

A rede de ensino básico e médio federal se sustenta em três pilares: o investimento, os professores qualificados e o desempenho dos alunos. O financiamento se destaca por ser muito maior do que o feito por outras redes.

O investimento anual por aluno das escolas federais chega a R$ 10 mil, enquanto o Fundo de Manutenção e Desenvol­­vimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), segundo levantamento de 2006, pagava apenas R$ 1,3 mil por matrícula nas séries finais em Curitiba.
Daniel Castellano/Gazeta do Povo
Daniel Castellano/Gazeta do Povo / Henrique Aguiar: cobrança maior
Henrique Aguiar: cobrança maior

Curitiba
Estrutura e cobrança são maiores
Em Curitiba, há duas escolas federais com formas de ensino distintas: o Instituto Federal do Paraná (IFPR) e o Colégio Militar de Curitiba (CMC). O IFPR tem 14 câmpus no Paraná e terá mais sete até 2014. Na capital, além de oferecer cursos de graduação e pós-graduação, as escolas oferecem o ensino médio e técnico profissionalizante. A escolha dos estudantes passa por diversos motivos.

 “A gente escolhe o curso por ser gratuito, mas também por preparar melhor para o mercado”, diz Melissa Zampronio, 15 anos, aluna do 1º ano do curso técnico em informática do IFPR. Para Henrique Aguiar, também 15 anos, a dedicação deve ser maior. “O ensino é mais puxado e a cobrança dos professores é maior do que em outras escolas”, diz.

Para o reitor do IFPR, Irineu Colombo, o instituto se diferencia por poder aliar teoria e prática. “O aluno tem aulas de física, teoria que é aplicada nos laboratório de eletrônica”, diz Colombo. Já o Colégio Militar é conhecido pela disciplina e seleções concorridas. Segundo o diretor e comandante do colégio, coronel André Germer, todos os professores têm ensino superior e contam com uma estrutura de apoio e planejamento.

Além disso, o investimento se traduz na estrutura oferecida pelos colégios. No caso do Instituto Federal do Paraná, que oferece o ensino médio com cursos técnicos, há laboratórios específicos para as áreas estudadas, como massoterapia e informática. Para o doutor em Educação e professor do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Ângelo Ricardo de Souza, a rede federal é mais controlável por ser menor.

“A quantidade de alunos no ensino médio federal é menor do que na rede estadual, administrar é algo mais fácil”, diz ele.

Professores
A formação do professor da escola federal também tem diferenciais segundo os especialistas. Para a professora de Pedagogia da UFPR Maria Madselva Ferreira Feiges, além dos recursos tecnológicos, o plano de carreira dos professores dessas escolas se assemelha ao das universidades.

Segundo Ângelo de Souza, conforme o professor se especializa ou faz um mestrado, há uma progressão, “o que não existe na rede de educação básica regular ou privada”, diz.

Alunos
A questão mais discutida é a do desempenho dos alunos. Muitos consideram que o processo seletivo é crucial para que os alunos que frequentam essas escolas estejam acima da média. “Além de se prepararem para a conclusão do ano letivo, os alunos começam a se dedicar a aprender mais para tentar ingressar nessas instituições.

Um aluno que sai do ciclo fundamental tem que se preparar muito para entrar no 6.º ano de um colégio militar, por exemplo”, considera o doutorando em Educação da UFPR, Luciano Blasius.

Para Ângelo de Souza, uma forma de mudar esse panorama é a União investir em outras esferas de ensino, por ter mais recursos. “Mas é preciso construir uma nova política de ensino”, diz ele.
 

 

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Tentativa de diálogo

Segundo pesquisador, as manifestações de indisciplina no âmbito da escola podem ser sinalizações de que os jovens almejam novas regras e maneiras de relacionar-se, mais flexíveis e próximas ao mundo contemporâneo

Poucos temas têm mobilizado tanto a atenção dos professores da Educação Básica como o da disciplina. O tema aparece frequentemente recolocado sob novas roupagens ou questões correlatas, como o bullying ou mesmo a violência física. A sensação, contudo, é que não há avanço, ou pior, há retrocesso. Para Joe Garcia, pesquisador e professor de Pós-Graduação da Universidade de Tuiuti, no Paraná, há uma combinação de mensagens antigas com expressões novas - e continua em pauta o que classifica de esvaziamento do papel da escola, tensões de convivência e uma crise moral. Na entrevista a seguir, concedida ao repórter Paulo de Camargo, Garcia, um dos conferencistas mais requisitados quando o assunto é indisciplina escolar e autor do livro Escritos sobre o currículo escolar (Editora Iglu, 2010), expõe suas ideias sobre o tema. Para ele, há avanços - entre eles, o fato de que a discussão rompeu os muros da escola. Segundo argumenta, o ambiente complexo das escolas de hoje está originando "um professor diferente, assim como outras crenças, outras rotinas, outras identidades". Contudo, alerta, os educadores ainda precisam se abrir mais para as novas formas de diálogo do mundo contemporâneo. A questão da educação moral vem sendo recolocada nas escolas e na mídia nos últimos anos sob diferentes perspectivas. Já se focou a questão da indisciplina, da violência física e a bola da vez parece ser o bullying. Trata-se de algo novo ou apenas tiramos de debaixo do tapete questões antigas? A escola possui um "tapete" muito antigo e extenso. Sob ele, há muito a resolver. De todos os problemas ali guardados, o bullying veio à luz apenas há poucas décadas. É uma forma complexa de violência, que permaneceu muito tempo oculta em função do modo desatento como os educadores há séculos observam a relação entre alunos na escola. Já a indisciplina é um problema reconhecido pelos professores há muito mais tempo. Quando olhamos para todos esses problemas, sob uma perspectiva atual, vemos uma combinação de mensagens antigas sob expressões novas. A comunicação paralela em sala de aula através de gadgets modernos e o ciberbullying refletem, na verdade, velhas questões sobre o esvaziamento do papel da escola, apontam tensões de convivência e uma certa crise moral. Assim, entre as soluções atuais, está a educação moral, que é importante, mas pensar a indisciplina apenas sob essa perspectiva é desonerar outras fontes daquele problema.

A seu ver, estamos avançando em algum sentido?
Vejo diversos avanços. Talvez o mais evidente resida no aumento da percepção social sobre os problemas que ocorrem dentro dos muros da escola. A indisciplina hoje é um tema de interesse mundial e não mais um assunto de sala dos professores somente. Quanto ao diálogo nas escolas, também avançou. Há 50 anos, não seria possível debater com liberdade temas tais como sexualidade, política e drogas. Mas existem avanços a realizar. Sob diversos aspectos, a escola é um ambiente de interação defasado em relação às possibilidades de diálogo deste século. Olhemos, por exemplo, a sutil revolução que está ocorrendo nas redes sociais, em relação às quais a escola está ainda adormecida.

A questão da formação do professor é um impedimento para o avanço nessa compreensão mais ampla das relações humanas vividas nas escolas?
Nos currículos de formação inicial de professores, nas licenciaturas, há um certo silêncio em relação à questão da indisciplina e violência nas escolas. Nas universidades, não estamos preparando os futuros professores para alguns dos principais desafios da profissão. Parece persistir a crença de que docentes bem preparados são aqueles que dominam conteúdos e métodos de ensino. Em complemento, a formação continuada, em serviço, também apresenta viés. Um estudo publicado recentemente pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revelou que embora o número de dias anuais supostamente dedicados ao desenvolvimento profissional dos professores brasileiros seja compatível com o padrão das nações industrializadas, as estratégias mais exploradas são pouco efetivas para promover mudanças. É preciso alterar as práticas de formação. Enquanto isso, os professores, mesmo sabendo o que e como ensinar, nem sempre conseguem ser efetivos em sala de aula - o que requer também saber lidar com a indisciplina.

O senhor acredita em soluções que não incluam mudanças de postura de toda a escola? Ou, em outras palavras, a evolução nas questões ligadas à qualidade do convívio prospera, se forem iniciativas apenas do professor em sala de aula?
Tenho acompanhado pesquisas sobre essas questões em diversos países. As soluções mais promissoras seguem o que se poderia denominar de abordagem global ou ecológica, que compreende a escola como um todo. Ainda precisamos da força intelectual e moral dos professores, mas estes precisam atuar em uma escola onde exista uma visão compartilhada, uma cultura e ambiente que sustentem suas práticas pedagógicas, ou que as recuse quando não forem compatíveis com um projeto coletivo. Mas as abordagens globais também são interessantes pelo papel ativo que atribuem aos alunos na construção do ambiente de convivência na escola. Também estes precisam desejar e contribuir na construção de uma escola mais interessante para todos.

As questões que o senhor ouve dos professores em suas palestras vêm mudando ao longo do tempo?
Atuo em processos de formação de professores desde o início dos anos 1990. Guardei muitos registros de diálogos com professores e observei alguns fatos interessantes. Nestes 20 anos, constatei uma mudança na leitura dos problemas de indisciplina na escola, na direção de uma melhor crítica e consciência social. Hoje, parece menos complicado aos professores reconhecer e conversar sobre os problemas de convivência em suas salas de aula. Mas aquilo que mais se destaca em meus dados reside na transformação do conteúdo das queixas em relação ao tempo na profissão. Os professores mais experientes acumulam mais tempo de exposição a conflitos e isso parece influenciar a leitura que fazem dos alunos, da escola e de si mesmos. O ambiente atual das escolas, complexo e muitas vezes conflituoso, está originando um professor diferente, assim como outras crenças, outras rotinas, outras identidades.

No caso específico do bullying, não lhe parece mais uma dessas palavras mágicas que de repente parecem explicar tudo?
O termo bullying expressa um fenômeno complicado, uma categoria de violência capaz de afetar profundamente o ambiente e a aprendizagem escolar. É uma palavra mais trágica do que mágica! É muito interessante observar que o bullying foi "descoberto" nos países escandinavos, onde justamente se acreditava que a educação estava mais resolvida no final do século passado. Em paralelo à consciência sobre esse problema, veio a percepção de que não estávamos tão atentos à qualidade das relações humanas na escola. Mas a solução não reside em maior controle social, e sim em melhor coexistência. Outro aspecto interessante é que o bullying descreve um desequilíbrio nas relações de poder. Parece ironia, mas esse fenômeno expressa uma mensagem clara sobre as relações em toda a sociedade do século passado.

Qual é a relação entre ambiente escolar e qualidade de ensino? Cuidar melhor da convivência não é também uma forma de melhorar a aprendizagem?
Desejamos, há séculos, melhorar o desempenho dos estudantes. Essa tarefa, no entanto, vai além de estimular avanços nas práticas de ensino. Há dois fatores principais a considerar que sustentam ou impedem a aprendizagem: a cultura e o clima da escola. Esses dois aspectos estão diretamente relacionados à qualidade da convivência. Alguns estudos sobre rendimento escolar e convivência na escola revelam que a aprendizagem em sala de aula decai em função da indisciplina, mesmo quando o desempenho dos professores é avaliado positivamente pelos alunos. Esse é o retrato do Brasil, segundo os dados do Pisa, na última década.

A TV e a internet têm algum papel nisso tudo? As relações virtuais levam a um enfraquecimento das relações humanas?
Há estudos que apontam a influência da mídia, incluindo a internet, como uma das principais causas indiretas de problemas de indisciplina nas escolas. A mídia claramente afeta não somente hábitos de consumo, mas a formação de valores e estilos de vida que se apresentam em sala de aula. Mas penso que ainda é cedo para entendermos toda a extensão das relações virtuais sobre o ambiente de aprendizagem na escola. E certamente não há apenas aspectos negativos a considerar. O fluxo de informações nas redes sociais torna possível uma percepção global sem precedentes. Isso pode mesmo levar a um fortalecimento da consciência e relações sociais, quando, por exemplo, as pessoas se engajam na luta por direitos humanos, na proteção do planeta ou em campanhas que tornam visíveis abusos e injustiças sociais.

Quais são os passos iniciais que o senhor sugere para educadores que vivem às voltas com os problemas da disciplina? O que é possível fazer já?
Gostaria de destacar duas ideias. Uma muito antiga e outra mais recente. No século 17, [o educador tcheco] Jan Amos Comenius escreveu que a disciplina na escola, embora necessária, não teria a força para inspirar os alunos a aprender. Seria a qualidade do ensino o elemento capaz de inspirar, ou não, os alunos. Penso que, sob essa abordagem, a indisciplina deveria ser interpretada mais como necessidade de avançar nas experiências de aprendizagem do que no controle do comportamento dos alunos. Essa é uma ideia antiga, mas ainda valiosa. Professores considerados bem-sucedidos em suas escolas me sugeriram que a indisciplina seria um modo de os alunos forçarem a escola na direção de uma abertura. A indisciplina refletiria a distância entre a forma pouco flexível e cheia de regras como eles aprendem na escola e o modo flexível e de regras mínimas como eles aprendem no mundo. Tais ideias sugerem a combinação de um currículo que seja fonte de inspiração, em uma escola que apresente regras mínimas para a aprendizagem.

fonte: http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=13177 

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Professora do Paraná conquista o Prêmio Microsoft Educadores Inovadores 2011


Com cerca de 46 mil habitantes, Marechal Cândido Rondon está localizado na região oeste do Paraná. É deste pequeno município que vem a grande vencedora do Prêmio Microsoft Educadores Inovadores 2011, a professora Vera Beatriz Hoff Pagnussatti, do Colégio Estadual Eron Domingues.

Eleita na categoria Educadora Inovadora do Ano, Vera Beatriz se destacou com o projeto “Jornal: Diferentes suportes, diferentes gêneros discursivos”, concorrendo com outros 1.400 trabalhos inscritos por professores de escolas públicas, privadas e técnicas de todo o País que utilizam a tecnologia para aprimorar o processo de ensino-aprendizagem.

Além de Vera Beatriz, outros sete educadores também foram premiados em diferentes categorias (veja abaixo). O anúncio dos vencedores aconteceu na noite do dia 3 de agosto, durante a realização do Workshop de Educação Microsoft Brasil 2011, evento que reuniu em São Paulo alguns dos principais especialistas em educação do Brasil.

Jornal estudantil
O projeto da professora paranaense nasceu a partir de um desejo: tornar as aulas de Língua Portuguesa mais produtivas e atraentes e com isso estimular o interesse dos alunos pela disciplina. Para alcançar esse objetivo, a educadora idealizou a produção de um jornal impresso e online como recurso pedagógico.

Com duração de 5 meses, o projeto possibilitou aos alunos uma maior interação com a comunidade, bem como o contato com diferentes gêneros textuais, abrangendo inclusive as mídias sociais.

Envolvidos em todas as etapas de produção do jornal – da elaboração das reportagens a divulgação num blog -, os estudantes tiveram a chance, ainda, de se familiarizar com diversos recursos tecnológicos utilizados ao longo de processo de produção. No final, a primeira edição do Jornal do Colégio foi enviada gratuitamente junto com o jornal local O Presente para todos os assinantes e alunos do colégio.

fonte:http://www.blogeducacao.org.br/professora-do-parana-conquista-o-premio-microsoft-educadores-inovadores-2011/   

sábado, 13 de agosto de 2011

Produção de texto - 1º e 2º anos

Neste roteiro, o caminho para abordar a linguagem escrita levando em conta o propósito do texto, seus potenciais leitores e diferentes gêneros.
Objetivo no 1º e 2º anos Iniciar, mesmo entre os não alfabetizados, a produção de textos, favorecendo a progressiva autonomia do planejamento à revisão da escrita. Navegue no menu à baixo para explorar todos os recursos.




Produção de texto - 1º e 2º anos

fonte: http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-1/roteiro-didatico-producao-texto-1o-2o-anos-636206.shtml